TEXTO DE APOIO 11ª CLASSE, POR Dr.CHIVURE



TEXTO DE APOIO, 11ª CLASSE: Da Historiografia Antiga á Historiografia Romana


Historiografia Antiga
1.1 O surgimento da escritas e sua importância
Quando surgiu a escrita, os sacerdotes procuraram fixar por escrito o legado religioso que até aí tinham conservado e transmitido através da via oral. Assim foi possível fixar as mais antigas cosmogonias. Além do legado religioso, a memória de antigos heroísmos guerreiros, foi também objecto de fixação escrita. E assim puderam escapar ao esquecimento ou ás alterações da tradição oral, algumas das mais antigas produções cosmogónicas e épicas.
1.2 Cosmogonias e Mitografias
As Cosmogonias contam-se entre as primeiras tentativas pré-científicas de explicação da formação do universo. Nessa explicação, não intervêm apenas elementos naturais. Intervêm também elementos sobre naturais.
A Mitografia, também está ligada ao elemento sobrenatural, e constitui as primeiras tentativas pré-científicas de explicação de fenómenos naturais, sociais, económicos, políticos e até culturais. Os Mitos destinguem-se em Mitos da primeira e Mitos da segunda água. Os primeiros são de origem colectiva e os outros se devem aos mitógrafos do templo ou do palácio de todos os tempos.

A Historiografia Judaica
A historiografia Judaica antiga alimenta-se de uma obra (a Bíblia) de vários géneros literários: poesia, história e direito.
2.1 Importância da Bíblia
Pela natureza e quantidade dos temas nela abordados, a Bíblia constitui uma verdadeira literatura nacional do povo judaico e uma preciosa fonte de informação acerca da sua história, assim como da história dos povos do Próximo Oriente, com os quais os Judeus estiveram em contacto ( Caldeus, Egípcios, Fenícios, Assírios, Persas, etc);
Na falta de outras fontes a Bíblia foi, até ao primeiro quartel do século XIX, a principal fonte de informação acerca da história do Próximo Oriente Antigo;
O facto de ser o livro sagrado de católicos, protestantes e cristãos ortodoxos, conferiu ao conteúdo da Bíblia uma credibilidade quase universal e serviu de instrumento de unidade entre os Judeus e entre outros povos;
2.2 A queda da Bíblia como única fonte da História do Oriente Antigo
Com a decifração das antigas escritas egípcias e cuneiformes, no século XIX, a Bíblia passou a um segundo plano, como fonte histórica das civilizações referidas, não só pela abundância como também pela antiguidade e credibilidade das novas fontes.
Além disso, veio a beneficiar a interpretação histórica da própria Bíblia. A partir desta altura, as histórias egípcias e mesopotâmicas, passaram a fornecer subsídios preciosos para o conhecimento da História dos judeus. Versões bíblicas como as do Éden, do Deflúvio e da Torre de Babel encontravam-se já documentadas na literatura Suméria, cerca de 1500 anos mais antiga, o que veio facilitar a distinção entre matéria histórica e matéria mítica.
2.3 Divisão entre o Poder Real e o Poder Temporal
Havia entre os Judeus duas formas de poder – o espiritual e o temporal - , representados pelo Sumo-Sacerdote e pelo Rei. A relação entre estes dois poderes caracterizava-se ora pela aliança, ora pela rivalidade, ora pela supremacia de um sobre o outro. Os objectivos destes dois poderes eram contraditórios: enquanto os objectivos da classe sacerdotal consistam em preservar a identidade dos judeus, velando ferozmente pela pureza doutrinária da sua religião, o objectivo da realeza consistia em alargar o seu domínio territorial, integrando politicamente as populações vencidas. Simplesmente, essa integração implicava a admissão no mesmo panteão nacional dos deuses dos vencidos.
Funcionando como instrumento dos objectivos da classe sacerdotal, a Bíblia conservou um carácter exclusivista que é, simultaneamente de defesa de uma ortodoxia – a tradição Mosaica – e de ataque a tudo o que lhe seja estranho. Símbolo desse exclusivismo é a velha máxima Bíblica: “amarás o teu próximo, mas aborrecerás teu inimigo.” E inimigo, para o judeu, era todo aquele que não fosse Judeu.
2.4 Características da Historiografia Judaica
O que fundamentalmente caracteriza a Historiografia Judaica é a sua incapacidade em aceder a uma concepção universalista do homem. Tudo se passa como se a História da nação Judaica fosse o contexto da História Universal.;
Historiografia do século XIX (Romantismo, Positivismo, Historicismo, Materialismo - Histórico)

1. Romantismo
Contexto: Surge em contestação à ideia do Iluminismo, segundo a qual a Idade Média foi um período obscuro, de escuridão e sem nenhum avanço científico. Desta forma, a época de barbarismo e superstição da Idade Média, torna-se inteligível, sendo possível ver a totalidade da História humana.
Características:
Olha para o passado com simpatia e procura encontrar nele a expressão de realizações humanas, genuínas e válidas;
O passado passa a ser contemplado como representando uma forma de sociedade com um valor próprio, um valor que o desenvolvimento da civilização fez desaparecer;
Encontra um valor e um interesse, positivos, em civilizações muito diferentes em relação à sua época;
Cultiva-se o gosto pelo passado, mas concebendo a história como um progresso;
Considera os estágios do passado da história como responsáveis pela ordem do presente. E, desta forma, a Idade média responsável pela preparação do Iluminismo;
Olhavam para o passado com simpatia e admiração;
O âmbito do pensamento histórico foi alargado, começando os historiadores a pensar em toda a história do homem.

Precursores: Herder, Rousseau, Kant, Schiller, Hegel.
Rousseau, filho do Iluminismo, através da reinterpretação dos princípios do iluminismo veio a ser o pai do movimento romântico. Tendo chegado à conclusão de que os governantes nada mais poderiam dar ao povo além daquilo que o próprio povo estava disposto a aceitar. Rousseau considera importante o déspota iluminado da concepção de Voltaire, a menos que houvesse um povo iluminado.


2. Positivismo

Conceito: Doutrina filosófica que vigorou no século XIX, considerada filosofia ao serviço das ciências da natureza, por considerar todas as filosofias da história, como tratando-se de especulações sem fundamento. Para o positivismo, todas as áreas do saber que não podem usar os métodos das ciências da natureza para alcançar a verdade não podem ser consideradas ciências.
Contexto: Para o positivismo, as ciências da natureza consistiam em duas coisas: determinar os factos e estabelecer as leis. Segundo este princípio, a determinação dos factos era apenas a primeira fase dum processo, cuja segunda fase era a descoberta das leis.
Ora, em história é difícil, se não mesmo impossível determinar as leis do funcionamento da sociedade, como se determina as leis da física ou da Matemática. Por esta razão, os positivistas consideraram a história, que só podia determinar os factos, não científica. Desta forma, os factos trazidos à luz pela história passaram a não ter interesse – crise da história como ciência.
Foi nesta situação que Augusto Comte exigiu que os factos fossem usados como matéria prima de alguma coisa mais importante e mais genuinamente interessante do que eles mesmos. Aceitando este princípio, Comte propôs que se formasse uma nova ciência chamada sociologia, que principiaria por descobrir os factos respeitantes à vida humana, descobrindo posteriormente as conexões causais entre estes factos. O primeiro trabalho, seria dos historiadores e, o segundo, do sociólogo. Deste modo, o sociólogo seria uma espécie de super-historiador, fazendo ascender a história à categoria de ciência.

Características:

Esta concepção teve como resultado:
O processo histórico passa a ser considerado como idêntico ao processo natural, por isso, os métodos das ciências da natureza eram aplicáveis à interpretação da história;
A tarefa do historiador passa ser determinar os factos usando o método crítico;
Aumento da história pormenorizada, baseada do exame cuidadoso e crítico das provas;
O ideal da história universal foi posto de lado, como um sonho vão, e o ideal da literatura histórica transformou-se em monografia;
O campo total do historicamente cognoscível foi fragmentado numa infinidade de factos diminutos, sendo cada um deles considerado separadamente;
O ponto de vista do historiador é eliminado, não podendo emitir qualquer juízo sobre os factos, devia dizer apenas o que eram.

3. Historicismo
Conceito: é uma doutrina filosófica dos fins do século XIX para se revoltar contra o positivismo, que afirmava serem as ciências da natureza, as únicas com um conhecimento que existia ou que podia existir sempre. Esta revolta constitui uma tentativa de defender a história como uma forma de conhecimento distinta das ciências e, contudo, legitimamente válida.
Contexto:
O termo Historicismo foi empregue pela primeira vez em 1880, pelo professor K. Werner, no seu livro. Ele dividiu o Historicismo em duas formas:
Historicismo filosófico, que se resume na afirmação de que vida e a realidade são história e não mais do que história – os fenómenos sociais e humanos só são inteligíveis quando enquadrados nessa categoria.
Historicismo epistemológico – metodológico: recusa-se a ser directamente uma concepção do mundo e pretende apenas afirmar-se contra o naturalismo, é a favor da especificidade das ciências humanas e da história.
Características:
Do historicismo dogmático:
· Procura sistematizar dogmaticamente, tal como providência, o progresso ou a luta de classes e pretende mesmo explicar o futuro com base nesta situação;
· Tende a relativizar tudo, sob o pretexto de que a história não fornece qualquer certeza ou verdade.

Do historicismo epistemológico:
O estudo das realidades sociais não pode deixar de ser histórico, isto é, de ter em conta o desenvolvimento histórico do povo particular a que respeitam;
Além de descrever os factos a história passa, também, a emitir juízos de beleza, bondade, utilidade, etc.
Consideram o facto histórico algo irrepetível
Defendem a relatividade da história, uma vez que o verdadeiro, o belo e o bom não são eternos.

Precursores: K. Werner, R.G. Coolingwood, W. Puchta, G. Hugo, W. Dilthey

4. O Materialismo
Contexto:
Surge por volta de 1848, fruto da conjuntura europeia marcada por:
Expansão da primeira revolução industrial e do capitalismo;
Triunfo dos movimentos nacionalistas dos ideais autonomistas dos povos do sindicalismo;
É desenvolvida por Marx, em oposição ao pensamento de Hegel. Enquanto para Hegel era a lógica que determinava o modelo seguido história, limitando-se a natureza a determinar o ambiente em que a história se manifesta. Para Marx, a natureza era mais do que o ambiente da história, era a fonte de que brotava o seu modelo. Para ele, não adiantava traçar modelos a partir da lógica. Era a preferível traçar modelos a partir do mundo da natureza.
Estes pressupostos conduzem a uma nova concepção da evolução da evolução histórica, cujas premissas seriam as seguintes:
· A história das sociedades humanas revela uma sucessão de modos de produção: esclavagismo, feudalismo e capitalismo;
· No seio da estrutura de cada modo de produção, a estrutura económica impõe-se à super estrutura jurídica, política e ideológica, embora haja acções e reações de todos esses factores. Numa perspectiva materialista a história é globalizante
· A passagem de um modo de produção ao seguinte é suscitada pela oposição, contradição existente – dialéctica, força motora da história;
· Do processo histórico extrai-se leis da evolução que permitem prever o futuro da humanidade: eliminação da burguesia pelo proletariado e estabelecimento de uma sociedade sem classes, sem Estado, em que o homem alcançará a liberdade.
Precursores: Karl Marx e Frederich Engels





1 comentários:

  Leonel

19 de Maio de 2009 às 02:14

bom o blog e' muito interessante, mas devem meter mais informacoes.Raimundo Gomes...Rio de Janeiro